
Me lembro ainda nos meus quase 10 anos de idade, sem entender bem porque, mas em frente à televisão, roendo as unhas, sem saber nem direito a proporção do que estava em jogo, mas sabia que queria ser campeão. Meu tio era meu grande companheiro de sofrimento e incentivador. Cada lance era determinante. Bola na frente, pra Bobô... perdeeeeeuuuuuuu.... a globo de Galvão Bueno parecia não acreditar na vitória do bahia pelo apertado 1 x 0 do primeiro jogo, na casa do adversário, o Gigante Internacional. Mas aquele time de camisa branca era mais aguerrido... lutava até o final e contradizia a hegemonia sulista no futebol.
Eu... nem sentava na cadeira... pulava o tempo todo e não perdia nenhum lance. Não seria interrompido nem pela minha avó quando vinha trazer um lanche... nem pelo colega que chamava pra brincar na porta de casa. Quando finalmente... o apito final.
Fogos, fogos e mais fogos... e eu não poderia entender naquela época porque seria tão importante ganhar daquela vez, porque tanta comemoração se ano que vem teríamos mais uma oportunidade? "Vou ser campeão no ano que vem", pensei.
ÊÊÊÊÊ... Tricoloooooooooooooooor.... ÊÊÊÊ... Tricoloooooooooooorrr...
A multidão tomou as ruas e teve até carro de som pra animar a torcida ensandecida de orgulho. Parecia carnaval na pequena cidade de Cachoeira, no recôncavo bahiano.
....
Os anos se passaram, pra ser exato, 20 anos. Como estamos? Estamos em um jejum de títulos há sete anos... digo... nem nacional... nem estadual... nem regional... nem copa de bairro. Agora eu entendo a alegria da época... a importância daquele momento realmente histórico. Hoje, estamos fora do grupo de elite do futebol brasileiro. Mas como isso pode acontecer com um clube como o Bahia? Tantos torcedores fieis que lotam estádios e dão rendas astronômicas aos cartolões?
Eu, o clube, e todos os tricolores fomos vítimas da improbidade humana. Pessoas que apenas se locupletaram dos louros e da história do time. Mas essa é uma história pra se contar depois.
Passamos por muitas dificuldade durante todo esse período. Jogadores ruins, time ruim, resultado de péssimos gestores. Não suficiente, ainda perdemos a nossa casa, a Fonte Nova, aonde a torcida já estava acostumada a lotar mesmo em jogos da terceirona.
Hoje, repaginados, com novos personagens e velhos anseios, temos renovada a esperança. Vamos muito bem no campeonato bahiano, que tenho acompanhado e desculpem-me, é muito fraco. A falta de investimento no esporte traz pra o certame local jogadores de nível rasteiro, com poucos que se destacam e são logo negociados. Me parece que só temos dois clubes na Bahia. Que saudade da Copa do Nordeste, mais competitiva... Mas essa também é outra história.
Mas sabendo disso tudo, percebo que realmente devemos comemorar, e muito, o título de duas décadas atrás, como se fosse atual. E torcer para que os atuais administradores respeitem a mim e a toda a nação tricolor, não só trazendo de volta o Bahia para a 1a divisão, mas desenvolvendo um projeto sustentável que convença e traga a alegria de outro título... e que não demore mais 20 anos.